terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lições de uma amiga

Ver tudo, deixar passar muita coisa e resolver uma de cada vez.


A DIFERENÇA - Mario Quintana - Caderno H



O que eles chamam de nossos defeitos é o que nós temos de diferente deles. Cultivemo-los, pois, com o maior carinho - esses nossos defeitos.




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fluxograma para resolução de problemas



De tudo que sei na vida, de seis amigos me vêm: o que, o onde e o como; o porque, o quando e o quem. Qual é o último dos amigos que pode me ensinar algo? O quem. Mas invertemos essa ordem. Normalmente, quando alguma coisa dá errado e queremos resolver o problema, começamos justamente pelo quem. Na verdade, dizer que queremos resolver o problema nesse contexto é ou um otimismo exagerado ou má fé mesmo.

Porque o mais interessante dessa forma de pensar, revelada no fluxograma acima, é que o problema sumiu. Só se quer eliminar a chance de que qualquer culpa ou responsabilidade caia sobre nós. Se a coisa funciona ou não e por quais motivos funciona ou não, não interessa. Contando que não se tenha que responder por ela ( com o perdão da enfase ): foda-se.

E na verdade, em qualquer empresa minimamente profissional e bem estruturada, quando os problemas começam a se avolumar, o erro tem que ser procurado no processo. Salvo raríssimas exceções, não é uma pessoa que está causando as dificuldades. Algo no processo precisa ser analisado, identificado e alterado para que os problemas não se repitam. Mas o comum mesmo é a "eleição" de um "quem" que possa assumir seu papel de boi de piranha. E assim abafa-se a questão, nada é resolvido, e a "coisa" continua a não funcionar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

HISTÓRIA DE VIDA - INSTRUÇÕES



A seguir você vai encontrar uma série de perguntas. As respostas dadas a estas perguntas é que vão permitir um estudo detalhado de nossa parte. Não existe uma maneira correta de responder. Não tenha pressa. Envie as respostas parcialmente, à medida que forem feitas.

Qualquer dúvida, telefone: 9183 8458. Ou Mande um e-mail: nello.m.rangel@gmail.com.

PARTE 1 - GRUPO FAMILIAR

1) Responda os itens abaixo em relação à avó e avô paternos e maternos:

Paternos:
Avô
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:

Avó
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:

Maternos:
Avô:
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:


Avó:
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:

2) Fale:
a) Da convivência com seus avós:
b) Dos seus sentimentos em relação a eles:

3) Responda os itens abaixo em relação a pai e mãe:
a) Nome completo:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Situação econômica:
e) Situação social:
f) Idade em que se casaram:
g) Religião

4) Houve mudanças em sua família, a partir do casamento de seus pais, da situação econômica e social? Se houve fale das causas e conseqüências das mudanças e do significado delas para você.

5) Mencione:
a) A idade e o nome completo de cada membro de sua família (pais e irmãos).
b) Faça um pequeno relato sobre cada um, incluindo você.
c) Fale do relacionamento entre vocês.

6) Fale tudo que você sabe sobre seu nascimento e também:
a) Das expectativas de seus pais:
b) E dos nomes escolhidos.
C) você foi uma criança agitada? Ou desastrada? Ou mais quieta? Fale a respeito.

7) Fale:
a) Dos lugares onde sua família viveu:
b) Mencione o nível social de sua família comparando-os com grupos vizinhos:
c) Explique as razões das mudanças de residência.

8) Se outras pessoas viveram na sua casa, faça um relato de cada um.

9) Se você viveu em alguma época ou vive separado(a) de sua família mencione:
a) Porque?
b) Onde e com quem vive?
c) Por quanto tempo e o significado disto para você?


PARTE 2 — RELAÇÕES FAMILIARES


10) Fale da convivência entre seus pais. Fale das mudanças de relacionamento que por ventura tenham existido entre eles, e as razões dessas mudanças. Diga como você se sentia em relação à convivência entre eles, em relação às mudanças nas relações deles.
Fale das referências que um fazia sobre o outro. Mencione com que e a freqüência dessas referências.

11) Mencione se havia diferenças nas aspirações entre seu pai e sua mãe. Caso tenha existido esta diferença, explique em que consistia e como cada um se comportava em relação à aspiração do outro.

12) Diga como era a convivência entre seus irmãos (você inclusive).

13) Fale do relacionamento entre outras pessoas (parentes ou não) que viviam juntas com você na mesma casa. Qual a relação delas com você?

14) Diga agora como você se relaciona com seus pais e como os seus irmãos conviviam com eles. Fale das diferenças e semelhanças entre você e seus irmãos no relacionamento com seus pais.


PARTE 3 - GRUPOS DE CONVIVÊNCIA


15) Fale com quais parentes sua família se relaciona com mais freqüência. Situe estes parentes econômica e socialmente em relação à sua família.

16) Diga quais os parentes que sua família tinha a preocupação de se afastar. Por quais motivos? Diga como você se sentia em relação a estes parentes. Compare a situação econômica e social desses parentes com a de sua família.

17) Mencione os grupos de convivência que você teve. Comece pela infância e vá a fase atual de sua vida. Fale das suas simpatias e antipatias, caracterizando sempre que possível, as pessoas. Esclareça o melhor que puder, as razões das preferências e das antipatias.

18) Compare a situação econômica e social dessas pessoas com a sua e de sua família (em cada fase da sua vida).

19) Fale se sua família tinha o hábito de receber visitas ou hospedes. Diga se houve alguma mudança até sua vida atual. Compare com outros grupos de sua convivência.  


PARTE 4- EDUCAÇÃO


20) Mencione quais eram na sua casa as pessoas que mais diretamente influíram na sua educação.

21) Mencione os castigos que recebia. Quem os aplicava? Com que freqüência? Quais os motivos principais?

22) Mencione os elogios, prêmios ou recompensas que recebia. Quem os dava? Com que freqüência? Quais os motivos principais?

23) Quais as pessoas que eram citadas como exemplo para você ou seus irmãos? Descreva estas pessoas e porque serviam de exemplo.
Fale das pessoas que eram mencionadas na sua casa como exemplo negativo. Isto é, pessoas que você deveria procurar ser diferente. Descreva-as e diga o porque delas servirem de exemplo

24) Existia alguma diferença entre as coisas que lhe eram ensinadas e recomendadas pelas pessoas e o comportamento dessas mesmas pessoas? Isto é, havia concordância ou contradição entre o ensinado e o praticado na sua casa?


PARTE 5 - ATITUDES FAMILIARES


25) Agora você vai procurar lembrar como que na sua casa consideravam certos assuntos. Diga se houve alguma mudança no decorrer do tempo no modo de tratar esses assuntos. Compare sempre a posição de sua família com a sua em cada item.

            a) Pessoas que representam autoridade;
            b) Diversões, lazer ou brinquedos e jogos;
            c) Trabalho;
            d) Sentimento ou manifestações de sentimentos;
            e) Dinheiro;
            f) Preocupação pelo ridículo;
            g) Beleza;
            h) Sexo;
            i) Higiene;

PARTE 6 — BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS


26) Fale de seus brinquedos e de suas brincadeiras, em cada fase, isto é, na infância, adolescência e vida adulta.
Diga das pessoas com quem brincava em cada uma dessas fases e como se sentia com elas.

27) Diga onde brincava com mais freqüência. Diga das suas preferências nos brinquedos. Mencione se você freqüentava a casa de amigos e eles a sua, para brincar. Fale também das preferências por companheiros de brincadeiras e o porque destas preferências.

28) Fale das limitações e barreiras que você encontrava para brincar em cada fase da sua vida (infância, adolescência e vida adulta). Diga quando e porque passou a se envergonhar de brincar (caso isto tenha acontecido).


PARTE 7 - ESTUDOS


29) Fale dos cursos e locais em que foram realizados. Mencione e compare o nível econômico e social da Escola e dos colegas com o seu.

30) Fale da sua relação com professores e colegas (em cada época e lugar).

31) Fale de sua rotina e de seus hábitos ao estudar. Fale do seu aproveitamento nos estudos.

32) Fale das pessoas com quem você se comparava e o resultado das comparações.


PARTE 8 — ATIVIDADES


33) Conte a respeito da sua rotina diária, e se houve alterações significativas.

34) Quais são as atividades de seu interesse? Se considera habilidoso em alguma atividade? Gostaria de aprender a fazer alguma atividade?

35) Conte uma experiência significativa do aprendizado de uma atividade.

36) Conte a respeito da sua participação nas atividades domésticas (limpeza e organização da  casa,  cozinha, família, cuidados pessoais). Como era e se houve alterações. Tem ou teve alguma atividade doméstica de sua responsabilidade ou dos irmãos?

37) Conte a respeito da sua participação nas atividades religiosas (grupo de jovens, missas, cultos). Como era e se houve alterações.

38) Você já teve experiência de doença e/ou morte na família ou entre amigos? Como você lida (ou)  nessas situações?

39) O que pensa a respeito das atividades de arte e artesanato (pintura, desenho, modelagem, dobradura, colagem, confecção de bijuterias)? Já teve experiência nesta área? Gostaria de aprender a fazer alguma atividade artística?

40) Como se  locomove (sozinho, prefere estar acompanhado, anda de ônibus, táxi, dirige) e se houve alterações.

41) Freqüenta lugares públicos (cinema, teatro, museus, praças, exposições, festas)? Como se sente (a vontade, com medo, vergonha, tem  a sensação de que as pessoas ficam reparando em você)?

42) Possui  experiência  de  resolução de  problemas em banco, cartório, prefeitura, correio, compras? Como você lida (ou) nessas situações?

43) Participa e/ou já  participou de atividades com maior abrangência do ponto de vista social (conselhos em prol de alguma instituição, movimentos de bairro, cidade, política)?

44) Possui (ia) o hábito de leitura? Gosta(ava) de ler? Com qual freqüência? Qual tipo de leitura (jornal, revista, livro, romance, poesia, conto)?

45) A informação e o conhecimento são valores na sua família? E para você?


PARTE 9 - TRABALHO


46) Fale da sua disposição para o trabalho (da infância até hoje).

47) Fale das ocupações que você teve, remuneradas ou não.

48) Fale das suas atividades profissionais.

49) Fale do seu relacionamento com chefe, colegas e subordinados.



PARTE 10 — RELACIONAMENTOS AFETIVOS E OU SEXUAIS


50) Fale das suas experiências sexuais na infância.  Descreva as curiosidades e jogos sexuais. Fale do relacionamento sexual com outras crianças.

51) Fale das suas relações sexuais com o sexo oposto (não apenas relações sexuais completas).

52) Fale das suas preferências e/ ou aversões no campo sexual.

53) Fale das relações de namoro e também daquelas que não chegaram a se estabelecer em namoro.
Procure estabelecer semelhanças e diferenças entre as pessoas com que se relacionou afetivamente.

PARTE 11 — VIDA ATUAL


54) Se for casado, fale de como você conheceu e estabeleceu relações com seu (sua) esposo(a). Fale sobre o que você pensava dele(a) antes de se casar e o que você pensa hoje. Fale quais as mudanças de percepção e o porque delas.
Fale sobre o que você pensa que ele(a) pensava sobre você antes e o que pensa hoje. Se houve mudanças, o porque delas.

55) Situe você e seu (sua) esposo (a) economicamente e socialmente quando se casaram e as famílias.

56) Fale das relações afetivas ou sexuais que possam ter ocorrido com você depois do casamento. Diga qualquer ligação afetiva ainda que não tenha implicado em relações com duração mais significativas. Fale se seus sentimentos em relação a estas experiências.

57) Fale de seu(s) filho(s). Fale de como são as relações em casa. Fale das afinidades e dificuldades existentes entre todos vocês. Inclua qualquer outra pessoa que resida junto a vocês.

 

PARTE 12 – SAÚDE


58) Hábitos alimentares: como se alimenta? como se sente após alimentar-se? como é seu apetite? A família tem o hábito de todos presentes durante as refeições?

59) Como é seu sono?

60) Você fuma? Consome bebidas alcoólicas? Faz uso de algum remédio com freqüência? Faz uso de qualquer outro tipo de drogas?

61) Qual a sua experiência com a prática de esportes e atividades físicas?

62) faça um relato do seu tipo físico. Qual a melhor parte de seu corpo? E a pior?

63) Você tem algum tique? 

64) você tem alguma deformidade em alguma parte de seu corpo?

65) Quais são seus nojos?

66) Quais as doenças que você teve que foram mais significativas ou que lhe marcaram de algum modo?

67) Já fez alguma operação? Como foi?

68) Já sofreu algum acidente? Como foi?

69) Quais as doenças que são freqüentes na sua família? E no que diz respeito às doenças emocionais, há algum caso importante em sua família?

PARTE 13 - NÃO PERGUNTADO


58) Mencione aqui, coisas, lembranças e tudo mais que você julgue significativas, que não tenha sido perguntado.


59)Responda as perguntas abaixo:

a)    O que você tem medo de vir a ser no futuro?

b)    O que o passado significa na minha vida presente?

            c)   O que eu faria nos meus últimos meses de vida?

c)    Escreva a letra de uma música que você cante (ou lembre) com mais frequência.







In Memória









Amar o concreto deixa perdido este coração.

Nada pode o abstrato contra o pleno de sentido apelo da mão.

As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à sua missão

Mas todos os elos, muito mais do que findos, esses ficarão.





terça-feira, 16 de julho de 2013

O rosto da adúltera de Jesus ( Luiz Felipe Pondé, Folha SP, 15.07.13)


Então, Jesus foi abordado por um grupo de pessoas muito preocupadas com a retidão da lei. Traziam consigo uma mulher em prantos que havia sido pega em adultério. Jogada ao chão, ela tremia de medo. O povo pedia para que Jesus fizesse valer a lei: morte da adúltera por apedrejamento.

Isso foi há 2.000 anos, mas ainda hoje, no mesmo Oriente Médio, tem gente que apedreja mulheres e acha (agora, no Egito) que violentá-las nas praças seja um "direito da soberania popular revolucionária", enquanto se matam, nas mesmas praças, pelo modo ocidental de vida ou por outra forma de lei (o fundamentalismo islamita).

E assim caminha a humanidade, em ciclos, para lugar nenhum, mas com festas e crenças diferentes no meio, e demagogos a cantar...

Mas voltemos a Jesus. Fatos como esses me fazem achar que Jesus era um cabra macho. Enfrentar o povo quando este se julga movido pelo correto modo de viver é algo que exige, como dizem los hermanos, "cojones". Jesus disse que quem estivesse livre de pecado que atirasse a primeira pedra. Todos foram embora.

Esta é uma das passagens típicas do mundo bíblico na qual fica claro o tema da hipocrisia como motivação profunda daqueles que se acham arautos do bem, moral ou político.
Mas Jesus era um filósofo hebreu e estes filósofos eram diferentes dos filósofos gregos. O mundo bíblico é diferente da filosofia grega. Naquele, o "regime da verdade" (ou modo de busca da verdade) é interno e moral, na filosofia grega é externo e político.

O problema de saber se o que eu digo é verdade ou não, quando falo ou argumento, inexiste na Bíblia, porque o personagem principal do diálogo é Deus, e Ele sempre sabe de tudo, não há como mentir para Ele como há como mentir para outro homem ou para assembleia "soberana", como na filosofia ou democracia gregas. Segundo o crítico George Steiner, o Deus de Israel irrita porque está em toda parte e sabe de tudo.

Sabe-se que o advento da democracia grega levou muita gente a pensar sobre a diferença entre pura retórica, que visa o mero convencimento dos outros numa assembleia (eu acho que a democracia é 90% isso mesmo), e a verdade em si do que se fala.

O problema que nasce daí é a relatividade da verdade, dependendo do ponto de vista de quem fala e de quem ouve. Na Bíblia, o problema é se minto para mim mesmo ou não. Na esfera pública, é o tema da hipocrisia, na privada, o da verdade interior. A Bíblia criou o sujeito e as bases da psicologia profunda.

Na Bíblia, como o poder é sempre de Deus e ele é mais íntimo de mim do que sou de mim mesmo, o problema é como eu enfrento a mim mesmo. A preocupação com a lei é sempre acompanhada da atenção para com a falsidade de quem diz ser justo.

Por isso foram os hebreus que deram os primeiros passos para a descoberta do espaço interior onde vejo a distância entre mim e a verdade sobre mim mesmo, em vez de me preocupar com a verdade política, sofro com a mentira moral.

O crítico Erich Auerbach, no seu "A Cicatriz de Ulisses", parte da coletânea "Mímesis", reconhece este traço do texto hebraico: a relação de atenção e agonia entre Deus e seus eleitos molda o herói bíblico, dando a ele um rosto marcado por uma tensão moral.

Ainda na Bíblia hebraica, o rei David, o preferido de Deus, em seus belos "Salmos", O encanta justamente porque expõe seu coração sem qualquer tentativa de mentir para si mesmo.
Santo Agostinho com suas "Confissões" faz eco a David. A literatura monástica e mística medievais cultivou este espaço até seu ressurgimento no século 19 no pietismo alemão de gente como J.G. Hamann, o "mago do norte", ancestral direto do romantismo. Do romantismo e seu epicentro na verdade interior do sujeito, chegamos à psicologia profunda e à psicanálise.

A filosofia hebraica funda regimes de verdade que leva o sujeito a olhar para si mesmo ao invés de olhar para os outros. Em vez de cultivar uma filosofia política, ela cultiva uma filosofia moral da vida interior na qual não é barulho da assembleia que importa, mas o silêncio no qual os demônios desvelam nossa própria face.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Meditação ganha, enfim, aval científico


Estudos sérios estão afastando as dúvidas que costumavam pairar sobre a prática e mostram que ela é extremamente eficaz no tratamento do stress e da insônia, pode diminuir o risco de sofrer ataque cardíaco e até melhorar a reação do organismo aos tratamentos contra o câncer
Tiago Cordeiro

Meditação: arma poderosa contra o stress ganha respaldo científico 

A receita para lidar com dezenas de problemas de saúde é fechar os olhos, parar de pensar em si e se concentrar exclusivamente no presente. A ciência está descobrindo que os benefícios da meditação são muitos, e vão além do simples relaxamento. "As grandes religiões orientais já sabem disso há 2.500 anos. Mas só recentemente a medicina ocidental começou a se dedicar a entender o impacto que meditar provoca em todo o organismo. E os resultados são impressionantes", afirma Judson A. Brewer, professor de psiquiatria da Universidade Yale.
Iniciada na Índia e difundida em toda a Ásia, a prática começou a se popularizar no ocidente com o guru Maharishi Mahesh Yogi, que nos anos 1960 convenceu os Beatles a atravessar o planeta para aprender a meditar. Até a década passada, não contava com respaldo médico. Nos últimos anos, os pesquisadores ocidentais começaram a entender por que, afinal, meditar funciona tão bem, e para tantos problemas de saúde diferentes. "Com a ressonância magnética e a tomografia, percebemos que a meditação muda o funcionamento de algumas áreas do cérebro, e isso influencia o equilíbrio do organismo como um todo", diz o psicólogo Michael Posner, da Universidade de Oregon.
A meditação não se resume a apenas uma técnica: são várias, diferindo na duração e no método (em silêncio, entoando mantras etc.). Essas variações, no entanto, não influenciam no resultado final, pois o efeito produzido no cérebro é parecido. Na prática, aumenta a atividade do córtex cingulado anterior (área ligada à atenção e à concentração), do córtex pré-frontal (ligado à coordenação motora) e do hipocampo (que armazena a memória). Também estimula a amígdala, que regula as emoções e, quando acionada, acelera o funcionamento do hipotálamo, responsável pela sensação de relaxamento.
Não se trata de encarar a meditação como uma panaceia universal, os estudos mostram também que ela tem aplicações bem específicas. Mas, ao contrário de outras terapias alternativas que carecem de comprovação científica, a meditação ganha cada vez mais respaldo de pesquisas realizadas por grandes instituições.
Hoje, os estudos sobre os benefícios da meditação estão concentrados em seis áreas.


Meditar é mais repousante do que dormir. Uma pessoa em estado de meditação consome seis vezes menos oxigênio do que quando está dormindo. Mas os efeitos para o cérebro vão mais longe: pessoas que meditam todos os dias há mais de dez anos têm uma diminuição na produção de adrenalina e cortisol, hormônios associados a distúrbios como ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade e stress. E experimentam um aumento na produção de endorfinas, ligadas à sensação de felicidade. A mudança na produção de hormônios foi observada por pesquisadores do Davis Center for Mind and Brain da Universidade da Califórnia. Eles analisaram o nível de adrenalina, cortisol e endorfinas antes e depois de um grupo de voluntários meditar. E comprovaram que, quanto mais profundo o estado de relaxamento, menor a produção de hormônios do stress.

Este efeito positivo não dura apenas enquanto a pessoa está meditando. Um estudo conduzido pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, colocou 15 voluntários para aprender a meditar em quatro aulas de 20 minutos cada. A atividade cerebral foi examinada antes e depois das sessões. Em todos os pesquisados, foi observada uma redução na atividade da amígdala, região do cérebro responsável por regular as emoções. E os níveis de ansiedade caíram 39%.

Para quem já está estressado, a meditação funciona como um remédio. Foi o que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos descobriram ao analisar 28 enfermeiras do hospital da Universidade do Novo México, 22 delas com sintomas de stress pós-traumático. A metade que realizou duas sessões por semana de alongamento e meditação viram os níveis de cortisol baixar 67%. A outra metade continuou com os mesmos níveis. 

Resultados parecidos foram observados entre refugiados do Congo, que tiveram que deixar suas terras para escapar da guerra. O grupo que meditou ao longo de um mês viu os sintomas de stress pós-traumático reduzir três vezes mais do que as pessoas que não meditaram – índices parecidos aos já observados entre veteranos americanos das guerras do Vietnã e do Iraque.

A Universidade de Ciências da Saúde da Geórgia conseguiu melhorar a sobrecarga cardíaca de 31 adolescentes americanos hipertensos. Os jovens apenas acrescentaram um hábito a suas rotinas: meditar duas vezes por dia, durante 15 minutos, ao longo de quatro meses. Outros 31 receberam orientações médicas, mas não meditaram. A primeira metade terminou o período de testes com a massa do ventrículo esquerdo menor – sinal de redução dos riscos de desenvolver doenças cardíacas e vasculares.

Outro levantamento, este da Universidade da Califórnia em Los Angeles, mediu o acúmulo de gordura nas artérias de 30 pessoas com pressão alta. Depois de meditar 20 minutos, duas vezes por dia, ao longo de sete meses, a quantidade estava menor, enquanto que ela não havia sido alterada no grupo de controle.

Meditar também é útil para reduzir em 47% as chances de ataque cardíaco e infarto em adultos. Foi o que concluiu a Associação Americana do Coração, depois de acompanhar um grupo de pacientes de 59 anos de idade, em média, ao longo de nove anos, de 2000 a 2009. Todos continuaram recebendo a medicação necessária, mas metade foi convidada a participar de sessões de meditação sem regularidade definida. Neste grupo, a pressão arterial caiu significativamente. "Foi como se a meditação funcionasse como um medicamento totalmente novo e muito eficiente para prevenir doenças cardíacas", afirma o fisiologista americano Robert Schneider, diretor do Center for Natural Medicine and Prevention e responsável pelo estudo.

Técnicas de relaxamento profundo, colocadas em prática durante o dia, podem melhorar a quantidade e a qualidade do sono. É o que aponta um estudo de 2008, do Northwestern Memorial Hospital, de Illinois. Cinco pessoas, com 25 a 45 anos e sofrendo de insônia crônica, foram submetidas a meditação durante dois meses. Passaram a dormir duas horas a mais por dia e alcançaram níveis de sono REM mais próximos do considerado saudável.

Em muitos casos, a insônia é sintoma de depressão. A meditação também funciona para atacar a causa. A Universidade da Califórnia conseguiu reduzir os casos de depressão entre 20 idosos com um simples programa de oito semanas de relaxamento, meia hora por dia. "No limite, meditar atrasar o aparecimento de sintomas do Alzheimer. A depressão na terceira idade é um fator de risco para o desenvolvimento desta doença", afirma o psiquiatra Michael Irwin, professor do Semel Institute for Neuroscience and Human Behavior da universidade.
 
O psicólogo Michael Posner e o neurocientista e professor da Universidade de Tecnologia do Texas Yi-Yuan Tang mediram a densidade dos axônios de pessoas que começaram a meditar. Quanto mais densos, maior a capacidade de realizar conexões cerebrais e menores os riscos de sofrer distúrbios mentais, de depressão a esquizofrenia. "A quantidade de conexões cerebrais está diretamente relacionada à saúde mental. Neste sentido, podemos dizer que a meditação é um exercício para a mente, excelente para deixá-la mais 'musculosa' e prevenir doenças", afirma o professor Posner.

Quem tem a meditação como hábito sente menos dor. O pesquisador Joshua Grant, do Departamento de Fisiologia da Universidade de Montreal comprovou esta hipótese encostando placas aquecidas nas nucas de 26 pessoas, 13 delas sem contato com a técnica e outras 13 com mais de 1000 horas de experiência em meditação. A placa era aquecida a 46 graus, depois 47, e assim sucessivamente, até 56. Todos os meditadores suportaram temperaturas acima dos 52 graus.

Nenhuma das pessoas inexperientes aguentou mais do que 50 graus. Na medida, o grupo que medita respirou 12 vezes por minuto. O outro respirou 15 vezes, um indício de stress maior. "As pessoas que meditam precisam menos de analgésicos. Elas sofrem menos pela antecipação da dor", diz Grant, que, no cruzamento de dados, concluiu que o hábito de meditar provocou uma resistência à dor 18% maior. De acordo com um grupo de neurocientistas do Center for Investigating Healthy Minds da Universidade de Wisconsin-Madison, a resistência de quem medita é maior em situações em que o stress influencia diretamente no nível de dor – caso de artrite e inflamações intestinais.

O sistema imunológico também é favorecido. "O aumento da atividade cerebral relacionada a pensamentos positivos tem influência direta na maior produção de anticorpos. A meditação também intensifica a ação da enzima telomerase", diz Judson A. Brewer, de Yale. As implicações desta descoberta são fundamentais para o tratamento de tumores malignos. A Associação Americana de Urologia já declarou que a meditação é recomendada para ajudar a conter o câncer de próstata.

Também ajuda a lidar com o câncer de mama. Um grupo de 130 mulheres com a doença, todas com mais de 55 anos, aceitaram participar de um teste que reforça esta teoria. Ao longo de dois anos, elas foram divididas em dois grupos, um deles fazendo meditação. A situação foi monitorada pelos médicos do Saint Joseph Hospital, em Chicago. A metade que meditou teve maior resistência para lidar com as dores provocadas pela quimioterapia e experimentou uma reação física melhor à doença.

Na escola estadual Bernardo Valadares de Vasconsellos, em Sete Lagoas (MG), os 1.400 alunos fazem, todos os dias, o Tempo de Silêncio. Quem desejar pode aproveitar os 15 minutos para meditar. Quem não quiser, pode apenas descansar. A iniciativa foi inspirada pela Fundação David Lynch, que já orientou a criação de programas de meditação na escola estadual Presidente Roosevelt, em São Paulo, e na escola estadual Helio Pelegrino, no Rio de Janeiro.

“Estimamos que 20% dos estudantes continuam meditando por conta própria”, diz Joan Roura, diretor da fundação no Brasil. “Alunos que meditam são mais tranquilos, mais focados e têm maior capacidade de apreender informações.” A prática rende melhores notas: entre 235 crianças de colégios de Connecticut que começaram a meditar, representou um aumento de 15% nas provas e avaliações. 

As áreas do cérebro responsáveis pela memória e pela atenção chegam a ficar mais densas quando se medita. Foi a conclusão a que chegaram pesquisadores de Harvard, Yale e MIT, municiados por scanners de cérebro. Pessoas que mediram com frequência ao longo de vários anos também demoram mais para sofrer a redução destas áreas, em especial o córtex frontal. 

“Um estudante que medita pode ter melhores notas, uma vida mais saudável e boas condições de lutar por melhores postos no mercado de trabalho, com menor tendência para sofrer doenças cardiovasculares, stress ou distúrbios mentais”, diz Judson A. Brewer. Em resumo: “Meditar é uma boa forma de alcançar uma vida mais feliz, saudável e produtiva”.



Fonte: revista Veja

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Alternativa - LUIS FERNANDO VERISSIMO



Envelhecer é chato, mas consolemo-nos: a alternativa é pior. Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor do que não existir. Há dúvidas, claro. Muitos acreditam que com a morte se vai desta vida para outra melhor, inclusive mais barata, além de eterna. Só descobriremos quando chegarmos lá. Enquanto isto vamos envelhecendo com a dignidade possível, sem nenhuma vontade de experimentar a alternativa.

Mas há casos em que a alternativa para as coisas como estão é conhecida. Já passamos pela alternativa e sabemos muito bem como ela é. Por exemplo: a alternativa de um país sem políticos, ou com políticos cerceados por um poder mais alto e armado. Tivemos vinte anos desta alternativa e quem tem saudade dela precisa ser constantemente lembrado de como foi. Não havia corrupção? Havia, sim, não havia era investigação para valer. Havia prepotência, havia censura à imprensa, havia a Presidência passando de general para general sem consulta popular, repressão criminosa à divergência, uma política econômica subserviente e um “milagre” econômico enganador. Quem viveu naquele tempo lembra que as ordens do dia nos quartéis eram lidas e divulgadas como éditos papais para orientar os fiéis sobre o “pensamento militar”, que decidia nossas vidas.

Ao contrario da morte, de uma ditadura se volta, preferencialmente com uma lição aprendida. E, se para garantir que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não desmoralizar demais a política e os políticos, que seja. Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar, ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa.
Sequer pensar que a alternativa seria preferível — como tem gente pensando — equivale a um suicídio cívico. Para mudar isso aí, prefira a vida — e o voto.

Luis Fernando Verissimo é escritor

sábado, 29 de junho de 2013

Mário Quintana

Essas duas tresloucadas, a Saudade e a Esperança, vivem na casa do Presente, quando deviam estar - como seria lógico – uma na casa do  Passado e a outra na casa do Futuro.

- Mas e o Presente seu moço?

- Ah! esse nunca está em casa.