Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Elizabeth Bishop
A noite toda, lado
a lado são amantes.
E no seu sono
viram-se de lado
como duas folhas
de um livro
que leem uma a outra
no escuro.
Uma sabe tudo
o que sabe a outra,
apreenderam-se de cor
da cabeça aos pés.
a lado são amantes.
E no seu sono
viram-se de lado
como duas folhas
de um livro
que leem uma a outra
no escuro.
Uma sabe tudo
o que sabe a outra,
apreenderam-se de cor
da cabeça aos pés.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
AMOR FEINHO - Adélia Prado
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Idéia fixa - Machado de Assis
"A minha ideia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se ideia fixa. Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho."
Machado aqui usa a palavra argueiro, que significa pequeno cisco ou partícula, e a contextualiza biblicamente, tal como no famoso trecho abaixo.
«Não julgueis, para que não sejais julgados; porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e a medida de que usais, dessa usarão convosco. Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que tens no teu? Ou como poderás dizer a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão.» (Mateus)
"A analogia utilizada é a de quem julga vê um pequeno objeto nos olhos de outrem quando tem uma grande trave de madeira no próprio olho. A palavra grega original se traduz como "argueiro" (ou "cisco" - κάρφος - karphos), significando "qualquer objeto seco pequeno"."
Ele diz preferir um agueiro ou até uma trave inteira no olho a uma ideia fixa. Talvez quisesse sugerir que a ideia fixa é um problema de visão ainda maior, não uma pequena obstrução, mas a cegueira completa, o nada conseguir ver.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
A DIFERENÇA - Mario Quintana - Caderno H
O que eles chamam de nossos defeitos é o que nós temos de diferente deles. Cultivemo-los, pois, com o maior carinho - esses nossos defeitos.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Fluxograma para resolução de problemas
De tudo que sei na vida, de seis amigos me vêm: o que, o onde e o como; o porque, o quando e o quem. Qual é o último dos amigos que pode me ensinar algo? O quem. Mas invertemos essa ordem. Normalmente, quando alguma coisa dá errado e queremos resolver o problema, começamos justamente pelo quem. Na verdade, dizer que queremos resolver o problema nesse contexto é ou um otimismo exagerado ou má fé mesmo.
Porque o mais interessante dessa forma de pensar, revelada no fluxograma acima, é que o problema sumiu. Só se quer eliminar a chance de que qualquer culpa ou responsabilidade caia sobre nós. Se a coisa funciona ou não e por quais motivos funciona ou não, não interessa. Contando que não se tenha que responder por ela ( com o perdão da enfase ): foda-se.
E na verdade, em qualquer empresa minimamente profissional e bem estruturada, quando os problemas começam a se avolumar, o erro tem que ser procurado no processo. Salvo raríssimas exceções, não é uma pessoa que está causando as dificuldades. Algo no processo precisa ser analisado, identificado e alterado para que os problemas não se repitam. Mas o comum mesmo é a "eleição" de um "quem" que possa assumir seu papel de boi de piranha. E assim abafa-se a questão, nada é resolvido, e a "coisa" continua a não funcionar.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
HISTÓRIA DE VIDA - INSTRUÇÕES
A
seguir você vai encontrar uma série de perguntas. As respostas dadas a estas
perguntas é que vão permitir um estudo detalhado de nossa parte. Não existe uma
maneira correta de responder. Não
tenha pressa. Envie as respostas parcialmente, à medida que forem feitas.
Qualquer
dúvida, telefone: 9183 8458. Ou Mande um e-mail: nello.m.rangel@gmail.com.
PARTE 1 - GRUPO
FAMILIAR
1) Responda os itens abaixo em relação à avó
e avô paternos e maternos:
Paternos:
Avô
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:
Avó
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:
Maternos:
Avô:
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:
Avó:
a) Nome:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Descendência:
e) Situação econômica e social:
f) Procedência:
g) Religião:
2) Fale:
a) Da convivência com seus avós:
b) Dos seus sentimentos em relação a eles:
3) Responda os itens abaixo em relação a pai
e mãe:
a) Nome completo:
b) Profissão:
c) Escolaridade:
d) Situação econômica:
e) Situação social:
f) Idade em que se casaram:
g) Religião
4) Houve mudanças em sua família, a partir do
casamento de seus pais, da situação econômica e social? Se houve fale das
causas e conseqüências das mudanças e do significado delas para você.
5) Mencione:
a) A idade e o nome completo de cada membro
de sua família (pais e irmãos).
b) Faça um pequeno relato sobre cada um,
incluindo você.
c) Fale do relacionamento entre vocês.
6) Fale tudo que você sabe sobre seu
nascimento e também:
a) Das expectativas de seus pais:
b) E dos nomes escolhidos.
C) você foi uma criança agitada? Ou
desastrada? Ou mais quieta? Fale a respeito.
7) Fale:
a) Dos lugares onde sua família viveu:
b) Mencione o nível social de sua família
comparando-os com grupos vizinhos:
c) Explique as razões das mudanças de
residência.
8) Se outras pessoas viveram na sua casa,
faça um relato de cada um.
9) Se você viveu em alguma época ou vive
separado(a) de sua família mencione:
a) Porque?
b) Onde e com quem vive?
c) Por quanto tempo e o significado disto
para você?
PARTE 2 —
RELAÇÕES FAMILIARES
10) Fale da convivência entre seus pais. Fale
das mudanças de relacionamento que por ventura tenham existido entre eles, e as
razões dessas mudanças. Diga como você se sentia em relação à convivência entre
eles, em relação às mudanças nas relações deles.
Fale das referências que um fazia sobre o
outro. Mencione com que e a freqüência dessas referências.
11) Mencione se havia diferenças nas
aspirações entre seu pai e sua mãe. Caso tenha existido esta diferença,
explique em que consistia e como cada um se comportava em relação à aspiração
do outro.
12) Diga como era a convivência entre seus
irmãos (você inclusive).
13) Fale do relacionamento entre outras
pessoas (parentes ou não) que viviam juntas com você na mesma casa. Qual a
relação delas com você?
14) Diga agora como você se relaciona com
seus pais e como os seus irmãos conviviam com eles. Fale das diferenças e
semelhanças entre você e seus irmãos no relacionamento com seus pais.
PARTE 3 - GRUPOS
DE CONVIVÊNCIA
15) Fale com quais parentes sua família se
relaciona com mais freqüência. Situe estes parentes econômica e socialmente em
relação à sua família.
16) Diga quais os parentes que sua família
tinha a preocupação de se afastar. Por quais motivos? Diga como você se sentia
em relação a estes parentes. Compare a situação econômica e social desses
parentes com a de sua família.
17) Mencione os grupos de convivência que
você teve. Comece pela infância e vá a fase atual de sua vida. Fale das suas
simpatias e antipatias, caracterizando sempre que possível, as pessoas. Esclareça
o melhor que puder, as razões das preferências e das antipatias.
18) Compare a situação econômica e social
dessas pessoas com a sua e de sua família (em cada fase da sua vida).
19) Fale se sua família tinha o hábito de
receber visitas ou hospedes. Diga se houve alguma mudança até sua vida atual.
Compare com outros grupos de sua convivência.
PARTE 4- EDUCAÇÃO
20) Mencione quais eram na sua casa as
pessoas que mais diretamente influíram na sua educação.
21) Mencione os castigos que recebia. Quem os
aplicava? Com que freqüência? Quais os motivos principais?
22) Mencione os elogios, prêmios ou
recompensas que recebia. Quem os dava? Com que freqüência? Quais os motivos
principais?
23) Quais as pessoas que eram citadas como
exemplo para você ou seus irmãos? Descreva estas pessoas e porque serviam de
exemplo.
Fale das pessoas que eram mencionadas na sua
casa como exemplo negativo. Isto é, pessoas que você deveria procurar ser
diferente. Descreva-as e diga o porque delas servirem de exemplo
24) Existia alguma diferença entre as coisas
que lhe eram ensinadas e recomendadas pelas pessoas e o comportamento dessas
mesmas pessoas? Isto é, havia concordância ou contradição entre o ensinado e o
praticado na sua casa?
PARTE 5 -
ATITUDES FAMILIARES
25) Agora você vai procurar lembrar como que
na sua casa consideravam certos assuntos. Diga se houve alguma mudança no
decorrer do tempo no modo de tratar esses assuntos. Compare sempre a posição de
sua família com a sua em cada item.
a)
Pessoas que representam autoridade;
b)
Diversões, lazer ou brinquedos e jogos;
c)
Trabalho;
d)
Sentimento ou manifestações de sentimentos;
e)
Dinheiro;
f)
Preocupação pelo ridículo;
g)
Beleza;
h)
Sexo;
i)
Higiene;
PARTE 6 —
BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS
26) Fale de seus brinquedos e de suas
brincadeiras, em cada fase, isto é, na infância, adolescência e vida adulta.
Diga das pessoas com quem brincava em cada
uma dessas fases e como se sentia com elas.
27) Diga onde brincava com mais freqüência.
Diga das suas preferências nos brinquedos. Mencione se você freqüentava a casa
de amigos e eles a sua, para brincar. Fale também das preferências por
companheiros de brincadeiras e o porque destas preferências.
28) Fale das limitações e barreiras que você
encontrava para brincar em cada fase da sua vida (infância, adolescência e vida
adulta). Diga quando e porque passou a se envergonhar de brincar (caso isto
tenha acontecido).
PARTE 7 - ESTUDOS
29) Fale dos cursos e locais em que foram
realizados. Mencione e compare o nível econômico e social da Escola e dos
colegas com o seu.
30) Fale da sua relação com professores e
colegas (em cada época e lugar).
31) Fale de sua rotina e de seus hábitos ao
estudar. Fale do seu aproveitamento nos estudos.
32) Fale das pessoas com quem você se
comparava e o resultado das comparações.
PARTE 8 —
ATIVIDADES
33)
Conte a respeito da sua rotina diária, e se houve alterações significativas.
34)
Quais são as atividades de seu interesse? Se considera habilidoso em alguma
atividade? Gostaria de aprender a fazer alguma atividade?
35)
Conte uma experiência significativa do aprendizado de uma atividade.
36)
Conte a respeito da sua participação nas atividades domésticas (limpeza e
organização da casa, cozinha, família, cuidados pessoais). Como
era e se houve alterações. Tem ou teve alguma atividade doméstica de sua
responsabilidade ou dos irmãos?
37)
Conte a respeito da sua participação nas atividades religiosas (grupo de
jovens, missas, cultos). Como era e se houve alterações.
38)
Você já teve experiência de doença e/ou morte na família ou entre amigos? Como
você lida (ou) nessas situações?
39)
O que pensa a respeito das atividades de arte e artesanato (pintura, desenho,
modelagem, dobradura, colagem, confecção de bijuterias)? Já teve experiência
nesta área? Gostaria de aprender a fazer alguma atividade artística?
40)
Como se locomove (sozinho, prefere estar
acompanhado, anda de ônibus, táxi, dirige) e se houve alterações.
41)
Freqüenta lugares públicos (cinema, teatro, museus, praças, exposições,
festas)? Como se sente (a vontade, com medo, vergonha, tem a sensação de que as pessoas ficam reparando
em você)?
42)
Possui experiência de
resolução de problemas em banco,
cartório, prefeitura, correio, compras? Como você lida (ou) nessas situações?
43)
Participa e/ou já participou de
atividades com maior abrangência do ponto de vista social (conselhos em prol de
alguma instituição, movimentos de bairro, cidade, política)?
44)
Possui (ia) o hábito de leitura? Gosta(ava) de ler? Com qual freqüência? Qual
tipo de leitura (jornal, revista, livro, romance, poesia, conto)?
45)
A informação e o conhecimento são valores na sua família? E para você?
PARTE 9 -
TRABALHO
46) Fale da sua disposição para o trabalho
(da infância até hoje).
47) Fale das ocupações que você teve,
remuneradas ou não.
48) Fale das suas atividades profissionais.
49) Fale do seu relacionamento com chefe,
colegas e subordinados.
PARTE 10 —
RELACIONAMENTOS AFETIVOS E OU SEXUAIS
50) Fale das suas experiências sexuais na infância. Descreva as curiosidades e jogos sexuais.
Fale do relacionamento sexual com outras crianças.
51) Fale das suas relações sexuais com o sexo
oposto (não apenas relações sexuais completas).
52) Fale das suas preferências e/ ou aversões
no campo sexual.
53) Fale das relações de namoro e também
daquelas que não chegaram a se estabelecer em namoro.
Procure estabelecer semelhanças e diferenças
entre as pessoas com que se relacionou afetivamente.
PARTE 11 — VIDA
ATUAL
54) Se for casado, fale de como você conheceu
e estabeleceu relações com seu (sua) esposo(a). Fale sobre o que você pensava
dele(a) antes de se casar e o que você pensa hoje. Fale quais as mudanças de
percepção e o porque delas.
Fale sobre o que você pensa que ele(a)
pensava sobre você antes e o que pensa hoje. Se houve mudanças, o porque delas.
55) Situe você e seu (sua) esposo (a)
economicamente e socialmente quando se casaram e as famílias.
56) Fale das relações afetivas ou sexuais que
possam ter ocorrido com você depois do casamento. Diga qualquer ligação afetiva
ainda que não tenha implicado em relações com duração mais significativas. Fale
se seus sentimentos em relação a estas experiências.
57) Fale de seu(s) filho(s). Fale de como são
as relações em casa. Fale das afinidades e dificuldades existentes entre todos
vocês. Inclua qualquer outra pessoa que resida junto a vocês.
PARTE 12 – SAÚDE
58) Hábitos alimentares: como se alimenta?
como se sente após alimentar-se? como é seu apetite? A família tem o hábito de
todos presentes durante as refeições?
59) Como é seu sono?
60) Você fuma? Consome bebidas alcoólicas?
Faz uso de algum remédio com freqüência? Faz uso de qualquer outro tipo de
drogas?
61) Qual a sua experiência com a prática de
esportes e atividades físicas?
62) faça um relato do seu tipo físico. Qual a
melhor parte de seu corpo? E a pior?
63) Você tem algum tique?
64) você tem alguma deformidade em alguma
parte de seu corpo?
65) Quais são seus nojos?
66) Quais as doenças que você teve que foram
mais significativas ou que lhe marcaram de algum modo?
67) Já fez alguma operação? Como foi?
68) Já sofreu algum acidente? Como foi?
69) Quais as doenças que são freqüentes na
sua família? E no que diz respeito às doenças emocionais, há algum caso
importante em sua família?
PARTE 13 - NÃO
PERGUNTADO
58) Mencione aqui, coisas, lembranças e tudo
mais que você julgue significativas, que não tenha sido perguntado.
59)Responda as perguntas abaixo:
a)
O
que você tem medo de vir a ser no futuro?
b)
O
que o passado significa na minha vida presente?
c) O que eu faria nos meus últimos meses de
vida?
c)
Escreva
a letra de uma música que você cante (ou lembre) com mais frequência.
In Memória
Amar o concreto deixa perdido este coração.
Nada pode o abstrato contra o pleno de sentido apelo da mão.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à sua missão
Mas todos os elos, muito mais do que findos, esses ficarão.
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